Crenças limitantes: o que são e 5 passos para as mudar

Academia Pedro Frias

Crenças limitantes: o que são, como as identificar e como mudá-las

Há ideias que tomas como factos e que decidem por ti o que tentas, o que pedes e o que aceitas. Um guia prático para as reconheceres, perceberes de onde vêm e começares a mudá-las.

por Pedro Frias · Academia Pedro Frias

Crenças limitantes são ideias que tomas como verdades sobre ti, sobre os outros ou sobre a vida, e que reduzem aquilo que te permites tentar, pedir ou receber. Quase nunca soam a crença. Soam a realismo: “eu sou assim”, “isto não é para mim”, “na minha família sempre foi assim”.

É por isso que são tão difíceis de apanhar. Não olhas para elas como uma opinião que formaste algures no caminho. Olhas para o mundo através delas.

Neste artigo explicamos o que são crenças limitantes, damos exemplos das mais comuns, mostramos de onde vêm e deixamos um método em cinco passos para começares a mudá-las.

Mulher sentada junto à janela, pensativa, a refletir sobre as suas crenças limitantes

O que são crenças limitantes

Uma crença é uma conclusão a que chegaste, muitas vezes há muito tempo, e que passou a funcionar como regra. A maior parte ajuda-te: acreditas que o fogão queima, que vale a pena cumprir o que prometes, que consegues aprender coisas novas. Uma crença torna-se limitante quando te fecha portas que, na realidade, estão abertas.

Convém separar crença de facto. “Não tenho formação em contabilidade” é um facto. “Nunca vou perceber de números” é uma crença. O facto descreve o presente e pode mudar. A crença fala em nome do futuro e dá o assunto por encerrado.

Porque é que parecem verdade

Uma crença tende a confirmar-se a si própria. Todos reparamos mais naquilo que confirma o que já pensamos, e deixamos passar o resto.

Se acreditas que ninguém te leva a sério, vais reparar nas três vezes em que te interromperam e esquecer as dez em que te ouviram. Depois ages em conformidade: falas menos, arriscas menos, e o resultado parece dar razão à crença. É aquilo a que se chama uma profecia autorrealizável.

Aquilo em que acreditas sobre ti decide o que tentas, muito antes de decidir o que consegues.

Exemplos de crenças limitantes mais comuns

Mudam as palavras, mas os temas repetem-se. Vê se reconheces alguma.

Sobre ti

  • “Não sou suficientemente bom.”
  • “Já é tarde para mudar.”
  • “Sou assim, não há nada a fazer.”

Sobre dinheiro

  • “O dinheiro muda as pessoas.”
  • “Para ganhar bem é preciso sacrificar tudo o resto.”
  • “Não sei lidar com dinheiro.”

Sobre relações

  • “Se mostrar o que sinto, afastam-se.”
  • “Tenho de dar sempre mais do que recebo.”
  • “Acabo sempre sozinho.”

Sobre trabalho

  • “Pedir ajuda é sinal de fraqueza.”
  • “Quem sou eu para cobrar isto?”
  • “Se correu bem, foi sorte.”

Repara no que têm em comum: palavras como “sempre”, “nunca”, “tenho de” e “não sou”. São afirmações absolutas, sem data nem contexto. É um dos sinais mais fiáveis de que estás perante uma crença, e não perante um facto.

De onde vêm as crenças limitantes

Quase todas as crenças limitantes têm uma origem que, na altura, fez sentido.

Pensa no Rui (um exemplo ilustrativo). Em criança, sempre que mostrava um desenho, ouvia do pai: “Isso não dá de comer a ninguém.” O pai não queria magoá-lo, queria protegê-lo. Mas o Rui tirou dali uma conclusão: aquilo de que gosto não tem valor. Aos 40 anos, é bom profissional numa área que não escolheu e ainda hesita em cobrar por aquilo que faz melhor.

No modelo que usamos na Academia Pedro Frias, a infância é a fase em que a mente ainda não filtra o que recebe. Uma criança absorve quase tudo sem questionar: o que ouve sobre si, a forma como os adultos falam de dinheiro, o que é preciso fazer para ser aceite. Essas conclusões ficam guardadas no subconsciente e continuam a orientar reações décadas depois. É o mesmo mecanismo que explica os padrões que se repetem na vida adulta.

As origens mais frequentes são quatro:

  • Frases repetidas. O que ouviste vezes sem conta em casa ou na escola, sobre ti ou sobre a vida.
  • Uma experiência marcante. Uma humilhação, uma perda ou um fracasso de onde tiraste uma regra geral.
  • O exemplo dos adultos. Aquilo que viste fazer pesa mais do que aquilo que te disseram.
  • A cultura à tua volta. Ideias sobre sucesso, dinheiro ou papéis que ninguém te ensinou diretamente, mas que estavam em todo o lado.

Nada disto serve para culpar ninguém. Serve para perceber que a crença foi aprendida, e aquilo que foi aprendido pode ser revisto.

Mãos de um adulto a segurar um desenho antigo de uma casa e um sol, feito em criança

Como identificar as tuas crenças limitantes

A dificuldade está em ver uma coisa que usas para ver. Estes quatro sinais ajudam.

1. Ouve as tuas frases absolutas

Durante uma semana, repara sempre que dizes ou pensas “eu nunca”, “eu sempre”, “não sou do género de” ou “isso não é para mim”. Escreve a frase tal como saiu.

2. Olha para o que se repete

Uma área da vida em que o resultado é sempre parecido, apesar de mudarem as pessoas e as circunstâncias, costuma ter uma crença por trás.

3. Repara nas reações desproporcionadas

Uma crítica pequena que te deita abaixo durante dias. Um elogio que te deixa desconfortável. Quando a reação é maior do que o acontecimento, é provável que tenha tocado numa crença.

4. Segue aquilo que adias

O projeto que nunca começas, a conversa que evitas, o preço que não sobes. Pergunta-te: o que é que eu acredito que vai acontecer se o fizer? A resposta costuma ser a crença.

Um exercício de dez minutos. Completa estas frases por escrito, sem pensar muito: “Eu não consigo…”, “Pessoas como eu…”, “O dinheiro é…”, “Para gostarem de mim, tenho de…”. O que escreveres primeiro é o material com que vais trabalhar.

Como mudar uma crença limitante: 5 passos

Uma crença limitante muda com treino, e uma decisão sozinha raramente chega. Estes passos fazem-se por ordem e repetem-se as vezes que for preciso.

1. Escreve a crença com as palavras exatas

Com ideias vagas não se trabalha. “Tenho problemas de autoestima” é um rótulo. “Acredito que só tenho valor quando sou útil aos outros” é uma crença, e já se pode olhar para ela.

2. Procura a origem

Que idade tinhas quando começaste a acreditar nisto? De quem é a voz que ouves quando a frase aparece? Muitas vezes descobres que a frase nem sequer é tua: foi herdada.

3. Põe a crença à prova

Faz duas colunas: os factos que a apoiam e os factos que a contrariam. Factos, e não impressões. Quase sempre a segunda coluna é maior do que esperavas. Só nunca a tinhas escrito.

4. Escreve uma alternativa em que consigas acreditar

Saltar de “não sou capaz” para “sou capaz de tudo” não resulta, porque não acreditas. Procura uma frase intermédia e verdadeira: “Ainda não sei fazer isto, e já aprendi coisas difíceis antes.”

5. Age em pequeno contra a crença

Uma crença cede perante experiência nova. Escolhe um gesto pequeno que a contrarie: pedir uma coisa, dizer um não, mostrar um trabalho. Cada vez que o fazes e nada de grave acontece, a crença perde força.

Convém ser honesto: isto não muda numa tarde. Uma crença que repetiste durante trinta anos precisa de repetição para ceder. O que faz a diferença é a constância.

Caderno aberto com notas escritas à mão, uma caneta, uma chávena de café e um ramo de alfazema

Quando o trabalho consciente não chega

Há crenças limitantes que resistem a tudo isto. Sabes que não são verdade, consegues explicar de onde vêm e, mesmo assim, continuas a reagir como sempre. Acontece porque a compreensão é consciente, e a crença está guardada mais fundo, junto da emoção que a criou.

É aqui que entra o trabalho com o subconsciente. No nosso método, a hipnose é a ferramenta central. Num estado de atenção focada e relaxada, a mente analítica deixa de filtrar tudo a cada segundo, e torna-se possível chegar à memória e à emoção que sustentam a crença. A pessoa está presente e participa do princípio ao fim. Explicámos em detalhe o que é a hipnose e o que acontece numa sessão.

Não é imediato nem garantido, e depende de cada pessoa. É uma forma de trabalhar a crença no sítio onde ela está guardada, e não só à superfície.

Aprender a fazer este trabalho, em ti e nos outros

Com os passos deste artigo consegues fazer muito sozinho. Com método e acompanhamento vais mais fundo e com mais segurança.

Formação certificada da Academia Pedro Frias

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A Academia Pedro Frias é uma entidade formadora certificada pela DGERT.

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Perguntas frequentes sobre crenças limitantes

O que são crenças limitantes?

São ideias que tomas como verdades sobre ti, sobre os outros ou sobre a vida, e que reduzem aquilo que te permites tentar, pedir ou receber. Formam-se sobretudo na infância e funcionam de forma automática, por isso soam a factos e não a opiniões.

Quais são os exemplos mais comuns de crenças limitantes?

“Não sou suficientemente bom”, “já é tarde para mudar”, “o dinheiro muda as pessoas”, “pedir ajuda é sinal de fraqueza” e “acabo sempre sozinho” estão entre as mais frequentes. Têm em comum serem afirmações absolutas, com palavras como “sempre”, “nunca” e “não sou”.

Como sei se tenho crenças limitantes?

Toda a gente tem. Os sinais mais claros são as frases absolutas que repetes, os resultados que se repetem numa área da vida, as reações desproporcionadas e aquilo que adias há muito tempo.

É possível eliminar uma crença limitante?

É possível enfraquecê-la e substituí-la por uma crença mais útil e mais verdadeira. Para isso é preciso identificá-la, perceber a origem, pô-la à prova e agir repetidamente contra ela. Não é imediato, e o tempo varia de pessoa para pessoa.

A hipnose ajuda a mudar crenças limitantes?

Pode ajudar, porque permite trabalhar a memória e a emoção que sustentam a crença, e não só a compreensão racional. É uma ferramenta complementar: os resultados variam de pessoa para pessoa, e não substitui acompanhamento médico quando ele é necessário.

Este artigo tem um propósito informativo e de autoconhecimento. Não substitui o acompanhamento de um profissional de saúde. Se estás a passar por um momento difícil, procura o apoio adequado.

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