Autossabotagem: porque acontece e 5 formas de a travar

Autossabotagem: porque acontece, como a reconhecer e 5 formas de a travar
Queres uma coisa, trabalhas para ela e, quando está quase, algo em ti trava. Um guia para perceberes porque acontece e como deixar de ser o teu próprio obstáculo.
por Pedro Frias · Academia Pedro Frias
A autossabotagem é quando os teus próprios comportamentos te afastam daquilo que dizes querer, quase sempre sem dares por isso. Adias o que é importante, desistes perto do fim ou estragas o que estava a correr bem.
Visto de fora, parece não fazer sentido. Visto de dentro, também não. Sabes o que queres, sabes o que tens de fazer e, mesmo assim, fazes o contrário.
Não é preguiça nem falta de caráter. É uma parte de ti a tentar proteger-te de uma coisa que, um dia, foi perigosa.
Neste artigo explicamos o que é a autossabotagem, como aparece no dia a dia, porque acontece, os sinais para a reconheceres e cinco formas de a travar.

O que é a autossabotagem
A palavra sabotagem descreve o ato de travar algo por dentro, de forma discreta. Na autossabotagem, quem trava és tu, e o que travas é o teu próprio caminho.
O mais curioso é que não há intenção. Ninguém acorda e decide estragar a própria vida. Simplesmente, quando chega o momento, algo em ti puxa para trás.
O termóstato interior
Pensa num termóstato. Se a temperatura sobe acima do valor definido, ele arrefece. Se desce, aquece. Volta sempre ao mesmo ponto.
No modelo que usamos na Academia Pedro Frias, a mente subconsciente funciona de forma parecida. Tem um ponto de referência sobre aquilo que mereces, aquilo de que és capaz e aquilo que é seguro. Quando a tua vida começa a subir acima desse ponto, ela encontra maneiras de te trazer de volta.
A autossabotagem não é uma falha de vontade. É uma parte de ti a tentar levar-te de volta ao que conhece.
Exemplos de autossabotagem no dia a dia
Mudam as situações, mas o mecanismo é o mesmo. Vê se te reconheces em algum.
No trabalho
- Adiar o projeto que mais te importa até ao último minuto.
- Não te candidatares à promoção porque “ainda não estás preparado”.
Nas relações
- Afastar alguém precisamente quando a relação fica mais próxima.
- Procurar defeitos quando tudo está a correr bem.
Nos hábitos
- Desistir do exercício ou da meditação ao terceiro dia.
- Prometer que começas na segunda-feira, todas as semanas.
No dinheiro
- Gastar tudo assim que entra mais dinheiro.
- Cobrar abaixo do valor do teu trabalho.
Porque é que a autossabotagem acontece
Pensa na Inês (um exemplo ilustrativo). Sonhava abrir o seu próprio espaço. Fez a formação, guardou dinheiro, encontrou a sala. Na semana de assinar o contrato, ficou doente de cansaço, discutiu com a sócia e deixou passar o prazo. Disse a si mesma que não era o momento certo.
Mais tarde, percebeu de onde vinha. Em criança ouviu muitas vezes que “quem nasce pobre morre pobre” e que “não te ponhas em bicos de pés”. Uma parte dela acreditava que ter sucesso a ia afastar da família.
A autossabotagem quase sempre protege alguma coisa:
- Do falhanço. Se não tentares a sério, nunca falhas a sério.
- Da rejeição. Se te afastares primeiro, ninguém te pode deixar.
- Da exposição. Se ficares pequeno, ninguém te critica.
- Da mudança. O problema conhecido parece mais seguro do que o desconhecido.
Por baixo destas proteções estão quase sempre crenças limitantes formadas muito cedo, e uma criança interior que aprendeu que ser vista, ou ter demasiado, era perigoso.

4 sinais de autossabotagem
1. Paras sempre no mesmo ponto
Começas bem, ganhas ritmo e, perto do fim, perdes o interesse ou surge um imprevisto. Sempre na mesma fase.
2. Tens uma justificação para tudo
Não é o momento, não há dinheiro, não estás preparado. As razões mudam, o resultado não.
3. Ficas desconfortável quando as coisas correm bem
Em vez de alívio, sentes uma espécie de alerta, como se estivesses à espera de que algo corresse mal.
4. Repetes o mesmo erro com pessoas diferentes
Quando o mesmo enredo aparece em contextos diferentes, raramente é coincidência. São padrões que se repetem, e têm uma origem.
Um exercício de dez minutos. Pensa na última vez que desististe de algo importante. Responde por escrito: o que estava prestes a acontecer se continuasses? Do que é que essa desistência te protegeu? A resposta costuma mostrar o que está por trás da tua autossabotagem.
Como travar a autossabotagem: 5 formas
1. Dá nome ao teu padrão
Descreve-o numa frase: “Quando estou perto de conseguir, arranjo uma razão para parar.” Um padrão com nome perde parte da força.
2. Descobre o que está a proteger
Pergunta-te o que temes que aconteça se tiveres sucesso. Às vezes a resposta surpreende: medo de deixar alguém para trás, de ser julgado, de não estar à altura.
Não tens de resolver logo esse medo. Basta vê-lo. Quando percebes que a tua autossabotagem está a tentar proteger-te, deixas de lutar contra ti e passas a negociar contigo. Podes até agradecer-lhe: “Obrigado por me protegeres. Agora já consigo lidar com isto.”
3. Avança em passos pequenos
Mudanças grandes acordam o termóstato interior. Passos pequenos passam despercebidos. Em vez de “vou mudar de vida”, escolhe “vou enviar um email hoje”.
4. Prepara o momento crítico
Já sabes onde costumas desistir. Prepara uma resposta antes de lá chegares: “Quando sentir vontade de adiar, faço dez minutos e depois decido.” Decidir antes é mais fácil do que decidir no momento.
Escreve esse plano num papel e deixa-o à vista. No momento crítico, a cabeça vai arranjar boas razões para parar. Ter a resposta já escrita poupa-te a discussão interior.
5. Trata-te como um aliado
Quando voltares a cair, e vais voltar, não te castigues. A culpa alimenta o mesmo ciclo que queres quebrar. Repara, respira e recomeça.
Convém ser honesto: um padrão que te acompanha há anos não desaparece numa semana. Vai ceder aos poucos, à medida que a mente percebe que o novo caminho também é seguro.

Quando a autossabotagem vem de mais fundo
Há padrões que resistem a tudo isto. Percebes de onde vêm, preparas-te, e mesmo assim voltam. Acontece quando a origem está guardada fundo, ligada a uma emoção antiga que a compreensão não alcança.
No nosso método, a hipnose é a ferramenta central para chegar lá. Num estado de atenção focada e relaxada, torna-se possível olhar para a memória e a crença que sustentam o padrão, e trabalhá-las na origem.
A pessoa está presente e participa do princípio ao fim. Não é imediato nem garantido, e depende de cada pessoa.
Aprender a fazer este trabalho
Muitas pessoas começam por trabalhar os próprios padrões e descobrem, pelo caminho, que querem ajudar outras a fazer o mesmo.
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Perguntas frequentes sobre autossabotagem
O que é a autossabotagem?
A autossabotagem é quando os teus próprios comportamentos te afastam daquilo que dizes querer: adias, desistes perto do fim ou estragas uma coisa que estava a correr bem. Quase sempre acontece sem dares por isso, como forma de te manteres no que já conheces.
Porque é que me autossaboto?
Na maior parte dos casos, para te protegeres. A mudança traz o desconhecido, e o desconhecido pode trazer rejeição, falhanço ou exposição. Uma parte de ti prefere o problema conhecido ao risco novo, mesmo que isso te custe.
Quais são os sinais de autossabotagem?
Adiar o que é importante, desistir perto da meta, arranjar defeitos quando as coisas correm bem e repetir o mesmo erro em situações diferentes são dos sinais mais comuns.
Como posso parar de me autossabotar?
Começa por dar nome ao teu padrão e perceber o que ele está a proteger. Depois, avança em passos pequenos, prepara os momentos em que costumas desistir e trata-te sem culpa quando voltares a cair. É um processo, não um interruptor.
A hipnose ajuda com a autossabotagem?
Pode ajudar, porque permite trabalhar as memórias e crenças que sustentam o padrão, e não só o comportamento. É uma ferramenta complementar: os resultados variam de pessoa para pessoa, e não substitui acompanhamento médico quando ele é necessário.
Este artigo tem um propósito informativo e de autoconhecimento. Não substitui o acompanhamento de um profissional de saúde. Se estás a passar por um momento difícil, procura o apoio adequado.
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