Déjà vu: o significado espiritual e 5 leituras possíveis

Academia Pedro Frias

Déjà vu: o que é e o que revela sobre o tempo

Entras num sítio onde nunca estiveste e sabes que já lá estiveste. Dura segundos e fica na memória. O que está realmente a acontecer nesse instante?

por Pedro Frias · Academia Pedro Frias

Déjà vu é a sensação súbita de já teres vivido exatamente o momento que estás a viver, mesmo sabendo que é a primeira vez. A expressão vem do francês e quer dizer “já visto”.

Estás numa conversa, numa rua, numa sala. De repente, tudo parece conhecido: as palavras, a luz, o lugar das coisas. Quase consegues adivinhar o que vem a seguir.

E, tão depressa como chegou, a sensação desaparece. Fica a estranheza e a pergunta: o que foi isto?

Neste artigo explico-te o que é, como olho para este fenómeno, cinco coisas que ele te revela sobre o tempo e o que fazer quando te acontecer.

Mulher num café com o mesmo gesto repetido em dupla exposição, como um déjà vu

O que é um déjà vu

É uma sensação de familiaridade que não tem explicação aparente. Sabes, racionalmente, que nunca viveste aquele momento. Mas uma parte de ti reconhece-o.

Dura poucos segundos e não se consegue provocar. Aparece sem aviso, muitas vezes em momentos banais do dia. E, apesar de durar tão pouco, muita gente se lembra durante anos de onde estava quando lhe aconteceu, precisamente por ser tão diferente do resto do dia.

Como se sente um déjà vu

Quem o vive costuma descrever três coisas ao mesmo tempo:

  • Familiaridade. A cena parece conhecida, como se já a tivesses visto.
  • Estranheza. Sabes que não pode ser, e isso desconcerta.
  • Antecipação. Sentes que sabes o que vai acontecer a seguir, mesmo que não consigas dizer o quê.

O significado do déjà vu

Para perceberes o que acontece num déjà vu, proponho-te que comeces por olhar de outra forma para a própria realidade.

A realidade é como um filme

Um filme parece contínuo, mas é feito de imagens paradas. Cada uma é um fotograma, e é a passagem rápida de uns para os outros que cria a ilusão de movimento. Numa sala de cinema, nunca vês as imagens uma a uma: vês apenas a história a desenrolar-se.

A meu ver, a realidade funciona da mesma maneira. É composta por vários momentos estáticos e, ao atravessarmos de um para o outro, cria-se a sensação de movimento. Temos a tendência de pensar que tudo é fluido, mas não é:

Não é fluido. É de fotogramas, é de fotografias.

Ver os fotogramas da frente

Normalmente, vivemos um fotograma de cada vez. Num déjà vu, a consciência eleva-se e começa a ver os fotogramas da frente antes de chegar até eles.

Tal como num filme, as cenas seguintes já estão na película, mesmo que ainda não tenham passado no ecrã. Depois, quando chegas a esses momentos, já os viste. É daí que vem a sensação de que já estás a viver aquilo.

Uma janela que se abre dentro de ti

Costumo descrevê-lo como uma espécie de janela portal que se abre dentro de nós. Por essa janela, começamos a perceber que o espaço-tempo é uma ilusão e que estamos a ver momentos que já existem, antes de eles chegarem até nós.

Não é algo que se force. A janela abre-se por instantes e volta a fechar-se, deixando apenas aquela certeza estranha de já ter estado ali. É uma sensação que, depois de vivida, dificilmente se esquece.

Homem parado a meio de uma rua estreita de calçada portuguesa, a olhar para trás, como se reconhecesse o lugar

5 coisas que o déjà vu te revela sobre o tempo

Se olhares para ele desta forma, deixa de ser só uma curiosidade estranha. Passa a ser uma pequena pista sobre a natureza do tempo e da tua consciência.

1. O tempo não é tão contínuo como parece

Sentimos o tempo como uma linha que corre sem parar. A imagem dos fotogramas mostra outra coisa: momentos que existem por si e que vamos atravessando um a um.

2. Os momentos já existem antes de chegares

Se consegues ver um momento antes de o viveres, é porque ele já lá está. O déjà vu é o instante em que te apercebes disso.

3. A tua consciência vai além do agora

Normalmente, a atenção está presa ao momento presente. Nesse instante, por breves segundos, a consciência consegue ir mais longe e ver o que vem a seguir.

4. Há um caminho à tua frente

Os fotogramas que vês antes de lá chegares fazem parte do percurso que estás a fazer. Muitas pessoas sentem que estes momentos aparecem em fases de decisão ou de mudança, como acontece com as horas iguais e outras sincronicidades. Ver um pouco desse caminho, mesmo por segundos, pode trazer uma sensação de confiança.

5. É um convite a estares presente

Passamos grande parte do dia em piloto automático. Esta sensação acorda-nos de repente. Nesses segundos, estás mais desperto do que no resto do dia, e vale a pena aproveitá-los.

Um diário de janelas. Da próxima vez que te acontecer, anota quatro coisas: onde estavas, com quem, o que estavas a sentir e em que fase da vida estás. Ao fim de alguns registos, repara se há algo em comum entre esses momentos.

O que fazer quando tens um déjà vu: 5 passos

A sensação dura pouco, por isso vale a pena saberes o que fazer nesses segundos.

1. Não lutes contra a sensação

A tendência é sacudi-la e seguir em frente. Em vez disso, deixa-a estar. Respira e fica com ela até passar. Não há nada a temer: dura apenas uns segundos.

2. Observa os pormenores

Onde estás? Quem está contigo? Que cheiros, sons e cores há à tua volta? Os pormenores ajudam-te a fixar o momento.

3. Pergunta o que sentes

Conforto, inquietação, saudade, alegria? A emoção que acompanha o momento diz-te muito sobre o que ele significa para ti.

4. Escreve logo que possas

A lembrança do momento desvanece-se depressa. Guarda as notas num só sítio para poderes ver padrões ao longo do tempo.

5. Treina a presença no resto do dia

Esse instante mostra-te como é estar totalmente desperto. Podes treinar esse estado com uma prática diária de meditação. Se nunca meditaste, o guia de meditação para iniciantes é um bom ponto de partida.

Não há garantias nem experiências iguais. Há quem o viva como uma revelação e há quem o sinta apenas como uma curiosidade. Ambas são válidas. Se estas sensações se tornarem muito frequentes ou vierem acompanhadas de mal-estar, fala com o teu médico.

Mulher a olhar pensativa para o seu reflexo num espelho antigo de moldura dourada, numa sala com luz suave

Expandir a consciência para lá do momento presente

Esta experiência é espontânea: não a escolhes nem a controlas. Mas mostra-te que a consciência consegue ir mais longe do que o momento que estás a viver.

Na Academia, trabalhamos com estados em que a mente analítica abranda e a consciência se abre, sobretudo através da hipnose. É uma ferramenta complementar, e o que cada pessoa vive varia muito.

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Perguntas frequentes sobre déjà vu

O que significa ter um déjà vu?

É a sensação súbita de já teres vivido o momento presente, mesmo sabendo que é a primeira vez. Na minha visão, acontece quando a consciência se eleva e vê os momentos da frente antes de chegar até eles.

Qual é a explicação espiritual do déjà vu?

A meu ver, a realidade é feita de momentos estáticos, como os fotogramas de um filme, e é a passagem de uns para os outros que cria a sensação de movimento. É o momento em que vês esses fotogramas antes de lá chegares.

O déjà vu quer dizer que estou a ver o futuro?

Nesta visão, os momentos já existem antes de chegarem até ti, e esta sensação é uma espécie de janela que se abre para eles. Não é uma previsão que possas controlar, é um vislumbre breve e espontâneo.

É normal ter déjà vu com frequência?

Acontecer de vez em quando é comum e acontece a muita gente. Se acontecer muitas vezes por dia ou vier acompanhado de mal-estar, fala com o teu médico para perceber o que se passa.

O que devo fazer quando tenho um déjà vu?

Não tentes afastar a sensação. Para, observa onde estás e o que sentes, e escreve isso logo que possas. Com o tempo, podes perceber em que momentos da tua vida estas janelas se abrem.

Este artigo tem um propósito informativo e de autoconhecimento. Não substitui o acompanhamento de um profissional de saúde. Se estás a passar por um momento difícil, procura o apoio adequado.

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