Há perguntas que só fazemos quando algo nos obriga a parar. Porquê agora? Porquê assim? Para além daquilo que se vê e se mede, existe uma camada mais profunda em nós, feita de história, de emoção e de alma. É muitas vezes aí que se encontra a origem metafísica e espiritual das doenças, e este é um convite a escutá-la.

O corpo guarda o que a alma cala

Ao longo da vida, vamos acumulando vivências que nem sempre tivemos tempo, espaço ou coragem para sentir até ao fim. Uma perda, um medo antigo, uma mágoa que ficou por dizer. Quando uma emoção não é vivida, não desaparece: fica guardada, à espera de ser ouvida.

Muitas vezes, é a criança que fomos que continua a carregar esse peso. As feridas mais antigas, as que nascem antes de termos sequer palavras para elas, são também as que mais marcam a forma como vivemos hoje. E o corpo torna-se o lugar onde tudo isso se acumula, em silêncio.

Aquilo que não conseguimos sentir por dentro, o corpo encontra forma de o mostrar por fora.
Imagem · corpo, silêncio, introspeção Origem metafísica e espiritual das doenças: o corpo guarda as emoções que não sentimos

O sinal não é o inimigo

Estamos habituados a tratar o mau-estar como um adversário, algo a calar o mais depressa possível. Mas e se o olhássemos de outra forma? E se aquilo que sentimos fosse menos um castigo e mais uma mensagem?

Quando o corpo dá um sinal, está muitas vezes a pedir atenção para algo que anda esquecido: um ritmo que já não nos serve, uma emoção por libertar, uma vida que se afastou daquilo que somos. Escutar esse sinal não é resignar-se. É começar a compreender.

O trauma não é o que acontece connosco, mas o que acontece dentro de nós como resultado do que aconteceu.
Gabor Maté

O ciclo invisível

Existe um ciclo entre o corpo e a emoção que está na origem de uma grande parte do nosso sofrimento. É invisível porque é silencioso. No início, não se sente. Mas vai-se reforçando, até se tornar identidade.

Funciona assim: vivemos um pensamento ou uma emoção, e o corpo reage de imediato. A respiração muda, os músculos ajustam-se, a postura adapta-se. Se essa emoção se repete vezes sem conta, o corpo aprende a manter essa configuração, mesmo quando o pensamento já passou. Aquilo que era passageiro torna-se permanente.

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Emoção ou pensamento

Surge uma emoção, uma memória, uma preocupação ou um pensamento.

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O corpo reage

A respiração muda, os músculos contraem-se, a postura altera-se.

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Se esse estado se repete

Sempre que essa emoção volta, o corpo repete a mesma reação.

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O corpo aprende a ficar assim

Com o tempo, o corpo mantém essa configuração, mesmo quando o pensamento já passou.

E o ciclo reforça-se, até se tornar identidade.

A origem metafísica e espiritual das doenças: tudo o que sentimos tem peso

Há uma ideia simples e, ao mesmo tempo, profunda: tudo o que existe é, na sua essência, energia. Os nossos pensamentos, as nossas emoções e as nossas crenças não ficam suspensos no ar. Movem-se em nós, influenciam o nosso estado e moldam, dia após dia, a forma como habitamos o corpo.

Por isso, cuidar do que sentimos não é um detalhe. Uma emoção que se repete, um pensamento que nos aprisiona, uma ferida que insiste em doer: tudo isso deixa marca. E tudo isso pode, com consciência, ser transformado.

Imagem · calma, olhar para dentro, cuidar de si Imagem evocativa sobre olhar para dentro e cuidar de si

Olhar para dentro

Quando começamos a escutar o que o corpo e a alma têm para dizer, algo muda. Damos espaço a emoções que estavam fechadas, abraçamos a criança interior que ainda espera por colo e devolvemos sentido àquilo que parecia ser apenas dor.

Esse caminho não se faz sozinho, nem de um dia para o outro. Faz-se com presença, com acompanhamento e com a coragem de olhar para dentro. E caminha sempre lado a lado com o cuidado que cada um já dedica ao seu bem-estar, nunca no lugar dele.

É este olhar mais completo sobre o ser humano que cultivamos na Academia Pedro Frias.

Perguntas que costumam surgir

Isto quer dizer que a culpa é minha?

Não. Esta não é uma leitura de culpa, mas de consciência. A culpa fecha, pesa e afasta-nos de nós; a consciência abre espaço para compreender, cuidar e transformar. Olhar para a origem espiritual ou emocional do mau-estar não é procurar o que fizeste de errado, mas escutar com mais profundidade aquilo que o teu corpo pode estar a pedir.

Esta perspetiva substitui o cuidado que tenho comigo?

Não. Esta perspetiva vem somar, não substituir. O corpo continua a precisar de cuidado concreto, descanso, atenção e acompanhamento sempre que necessário. Olhar para a alma e para as emoções é acrescentar uma camada de escuta ao cuidado que já tens contigo, para que o teu bem-estar possa ser visto de forma mais completa.

Preciso de acreditar em algo específico para isto fazer sentido?

Não. Não precisas de ter uma crença definida nem de seguir uma visão espiritual específica. Basta a disponibilidade para olhar para dentro com honestidade, curiosidade e compaixão. Cada pessoa aproxima-se deste caminho ao seu ritmo, e muitas vezes o sentido revela-se não pela resposta imediata, mas pela forma como começamos a escutar.

Queres saber mais sobre este tema?

Inscreve-te no workshop A Origem Metafísica e Espiritual das Doenças e vem descobrir o que o corpo e a alma têm para te dizer.

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Nota: este conteúdo tem um propósito de reflexão, partilha e autoconhecimento. Não substitui o acompanhamento de profissionais de saúde nem qualquer cuidado que já sigas para o teu bem-estar. Se estiveres a passar por um momento difícil, procura sempre o apoio adequado.