Como evoluir como terapeuta: 5 formas de crescer na prática

Academia Pedro Frias

Como evoluir como terapeuta: 5 formas de voltar a crescer na tua prática

A formação deu-te a base. O que vem depois constrói-se com tempo, com método e com outras pessoas. Um guia prático para quem sente que a prática deixou de avançar.

por Pedro Frias · Academia Pedro Frias

Há uma fase por que quase todos os terapeutas passam: a de sentir que a prática deixou de avançar. O trabalho corre bem, as pessoas continuam a vir, algumas recomendam-te a amigos. As técnicas que usas funcionam, e é natural que voltes a elas. Mas, a certa altura, começa a faltar qualquer coisa: a sensação de estar a ser desafiado, a curiosidade dos primeiros anos, em que cada caso te ensinava algo novo.

Se te revês nisto, não quer dizer que escolheste a profissão errada nem que perdeste jeito. Quer dizer, quase sempre, que chegou a altura de dar um novo impulso ao teu crescimento.

Terapeuta no consultório, num momento de reflexão sobre a sua prática

Porque é que a prática estagna

A formação inicial foi pensada para te pôr a trabalhar com segurança. Dá-te um método, uma linguagem e confiança para começar. O que não te dá, nem pode dar, é aquilo que só se aprende com anos de casos reais e com alguém a olhar para eles contigo.

Com os anos, a experiência traz coisas muito valiosas: segurança, intuição, a capacidade de perceber uma pessoa logo nos primeiros minutos. Mas também traz rotina. Aquilo que resulta tende a repetir-se, e é natural que assim seja. O risco está em deixares de parar para olhar para o teu trabalho com olhos novos, porque é nesse olhar que está boa parte do crescimento.

E no dia a dia esse tempo para olhar nem sempre aparece. Muitas vezes trabalhas sozinho, e os casos que te deixam a pensar ficam contigo. O contacto com outras abordagens e outras formas de trabalhar vai ficando para depois. E entre sessões, deslocações e a gestão do próprio consultório, sobra pouco espaço para ler, refletir ou simplesmente conversar sobre o trabalho com quem o entende.

Nada disto depende de talento. Depende das condições em que estás a tentar crescer. Por isso as cinco propostas que se seguem são, no fundo, formas de mudar essas condições.

5 formas de continuar a evoluir

1. Rever as sessões depois de as dares

Muito do crescimento acontece depois da sessão, quando tens distância para olhar para o que se passou. Não precisas de um relatório. Chegam dez minutos no fim do dia e um caderno só para isto, onde escreves para ti e não para ninguém ler.

Ao fim de um mês, lê tudo de seguida. Vais encontrar padrões que no dia a dia não se veem: a altura da sessão em que costumas acelerar ou o tema que andas a evitar.

Terapeuta a escrever notas num caderno depois das sessões

2. Criar um grupo de intervisão com colegas

A intervisão é um pequeno grupo de terapeutas, sem hierarquia, que se reúne para pensar casos em conjunto. É flexível e, bem feita, pode ser das coisas mais úteis que podes ter na tua vida profissional. Se não conheces nenhum grupo, podes criar um com dois ou três colegas em quem confies.

Não é preciso que trabalhem todos da mesma maneira. Aliás, ajuda que não trabalhem: um colega de outra abordagem vê coisas que tu, por estares habituado ao teu método, já não vês.

Grupo de terapeutas sentados em roda a conversar sobre casos

3. Continuar a formar-te, com intenção

A formação contínua é das formas mais diretas de crescer. Uma abordagem nova alarga aquilo que podes oferecer e dá-te respostas para casos em que te sentias sem saída. Aprofundar uma área que já trabalhas dá-te mais segurança, mais subtileza e mais capacidade de adaptar o que fazes a cada pessoa. As duas coisas fazem falta ao longo de uma carreira.

O que faz a diferença é a forma como escolhes e como aproveitas cada formação. Antes de te inscreveres, pergunta-te o que procuras neste momento: alargar ou aprofundar?

Depois, integra. Nas semanas seguintes, aplica o que aprendeste em dois ou três casos, regista o que resultou no teu caderno de sessões e, se puderes, partilha a experiência no teu grupo de intervisão. É assim que uma formação deixa de ser um certificado e passa a fazer parte da tua forma de trabalhar.

4. Cuidar de quem cuida

Passamos o dia a segurar o mundo dos outros. A ouvir, a conter, a acompanhar. E é fácil esquecer que ninguém está a segurar o nosso. Ao longo dos anos, isto pesa, e um terapeuta cansado tem pouca margem para aprender seja o que for.

Há sinais que vale a pena levar a sério: começar a sentir peso antes das sessões, irritação com pessoas de quem gostas, dificuldade em desligar à noite, a sensação de estar só a cumprir horário. Se te reconheces em vários, antes de pensares em evoluir, pensa em recuperar. Ter o teu próprio acompanhamento terapêutico e reservar dias só para ti, sem consultas, faz parte do trabalho tanto como as sessões.

5. Fazer parte de uma comunidade

Por fim, a mais simples de dizer e a mais difícil de fazer com regularidade: estar com outros terapeutas. Pessoas que percebem sem precisares de explicar. Que já ficaram acordadas a pensar num caso. Que não te acham exagerado por levares o trabalho tão a sério.

Quando fazes parte de uma comunidade assim, muita coisa fica mais leve. Aquela dúvida que achavas ser falha tua afinal é comum, e alguém já encontrou uma saída. Ouves como um colega conduziu uma sessão difícil e ficas com mais uma ferramenta sem teres passado pelo mesmo. E conheces abordagens que nunca te passaram pela cabeça, contadas por quem as vive e não por um manual.

Há uma diferença grande entre ler sobre uma técnica e ouvir alguém que a domina falar dela, com os erros, as dúvidas e os casos que nunca chegam aos livros. É muitas vezes nessas conversas que voltas a lembrar-te do motivo por que escolheste este trabalho.

Participantes do Congresso Nacional de Terapeutas a conversar num intervalo

Por onde começar? Não tens de fazer tudo ao mesmo tempo. Escolhe uma destas cinco coisas para o próximo mês, de preferência a que te dá mais desconforto só de ler, e faz dela um hábito antes de passares à seguinte.

Dois dias em comunidade

No dia a dia, a quinta proposta é a que mais fica para depois. Cada colega está no seu consultório, as agendas nunca batem certo, e o encontro vai sendo adiado. É por isso que os momentos em que a profissão se junta no mesmo sítio têm um valor especial.

Foi para isso que criámos o Congresso Nacional de Terapeutas, que este ano acontece a 7 e 8 de novembro, no CNEMA, em Santarém. São 16 especialistas de áreas diferentes, entre eles o Dr. Alberto Lopes, Eduardo Torgal e Hugo Martins, e uma sala cheia de terapeutas que fazem o mesmo que tu, em fases diferentes do caminho.

Oradores do Congresso Nacional de Terapeutas 2026

A experiência mostra que o valor de um congresso está tanto nos intervalos como no palco. Por isso, se vieres, deixamos-te três sugestões para trazeres mais do que apontamentos:

  • Traz uma dúvida concreta sobre a tua prática e pergunta a duas ou três pessoas como a resolveriam.
  • Fala com quem não conheces. Muitos grupos de intervisão nascem de uma conversa ao café.
  • No caminho de volta, escreve uma coisa que vais experimentar na semana seguinte. Só uma.

“Tem sido incrível: saímos da nossa zona de conforto, conhecemos pessoas novas e criámos relações.”

Ana Isabel, participante do Congresso Nacional de Terapeutas Ana IsabelParticipante do Congresso

“Espetacular. Gostei de cada uma das palestras pelas suas particularidades.”

Dora, participante do Congresso Nacional de Terapeutas DoraParticipante do Congresso

Queres dar o próximo passo na tua prática?

Congresso Nacional de Terapeutas · 7 e 8 de novembro · CNEMA, Santarém
Dois dias para aprender com 16 especialistas e conhecer quem faz o mesmo caminho que tu.

Perguntas frequentes

Como posso evoluir como terapeuta depois da formação inicial?

Combinando trabalho individual com contacto com outros terapeutas. Sozinho, podes rever as tuas sessões por escrito e cuidar do teu próprio equilíbrio. Com outros, podes juntar-te a um grupo de intervisão e ir a encontros da profissão. E continuar a formar-te, escolhendo formações que alarguem ou aprofundem aquilo que já fazes e integrando o que aprendes nos teus casos.

Porque é que sinto que a minha prática estagnou?

Muitas vezes porque o dia a dia não deixa tempo para parar. Trabalhas sozinho, a rotina instala-se e o contacto com outros terapeutas e outras abordagens vai ficando para depois. Também vale a pena olhar para o cansaço: quando estás esgotado, é natural que sintas menos vontade de aprender e explorar.

O que é um grupo de intervisão?

É um pequeno grupo de terapeutas, normalmente entre três e seis, que se encontra com regularidade para pensar casos em conjunto, sem hierarquia entre os participantes. Cada encontro foca-se em um ou dois casos, sempre com total confidencialidade. É uma forma simples de sair do isolamento e ganhar outros olhares sobre o teu trabalho.

Vale a pena ir a um congresso de terapeutas?

Sim, sobretudo se fores com intenção: conhecer outras abordagens e falar com pessoas novas. Para qualquer terapeuta, é uma forma rápida de sair da rotina e ganhar outros olhares sobre o trabalho. Muitas vezes o que trazes de mais valioso são os contactos e as conversas, que continuam muito depois de o congresso acabar.

O Congresso Nacional de Terapeutas é só para terapeutas experientes?

Não. É pensado para terapeutas em qualquer fase, de quem está a começar a quem tem muitos anos de prática. Quem está no início ganha referências e contactos; quem tem mais anos encontra outras abordagens e colegas com quem pensar o trabalho.

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